Dedo no Nariz

Que belas narinas, Binbin!
Às vezes (e cada vez menos) a casualidade me permite passar algumas horas divagando sobre coisas absolutamente inúteis. Aproveito essas oportunidades para viajar numa rica dimensão de liberdades conceituais, onde consigo perceber (e cada vez mais) o quanto os homens são pessoas esquisitas.
A começar pelos cumprimentos. Nem os cachorros são tão estranhos. Para eles, basta cheirar o rabinho de seu amigo e a identidade estará para sempre marcada na memória. Com os gatos, acontece quase a mesma coisa: é só eles começarem a se esfregar em alguém e você já sabe que o bichano está interessado numa coçada na nuca ou no novo Whiskas de atum. A simplicidade dá o tom de todas essas dinâmicas sociais. Por que os homens não são assim?
Pra mim, é pura metideza. Toda essa complexidade inútil deve ter nascido pela força destrutiva da vaidade humana. Aposto que aqueles homens das cavernas estavam doidos pra provar aos outros bichos, principalmente aos leões - outrora reis da selva - que eles eram “a última batata frita ondulada do pacote de Ruffles”. E o feitiço virou contra o feiticeiro, pois quem ganhou a guerra, no fim de tudo, foram os golfinhos: muito argutos, souberam aproveitar como ninguém a simplicidade utilitária da natureza, sem aquela pose “rei na barriga” de querer regular tudo. Exemplos de inteligência.
Pensando nisso, fico tentando entender até onde vai a capacidade humana de desenvolver e naturalizar comportamentos extremamente nojentos, que hoje são interpretados como manifestações sentimentais de toda ordem. E aí vem o medo: imagine se a história tivesse tomado rumos ligeiramente diferentes? Talvez outros comportamentos igualmente repugnantes conseguissem entrar em nossa cartilha de boa conduta.
Então, nesses meus dias asmáticos, fiquei imaginando uma possibilidade remota: o dedo no nariz. Não aquele que você vive enfiando para dar uma faxina no salão – e não me venha com aquele papinho ingênuo de “eu não tiro meleca”; todo mundo o faz. O tipo de “dedada” a que me refiro é aquele que representa o instante-mor do envolvimento entre duas almas, e envolve toda uma técnica, uma emoção. Não é nada trivial! Já pensou se aqueles ancestrais barbudos das cavernas tivessem resolvido que essa era a melhor maneira de demonstrar interesses sexuais pelas mulheres cabeludas e bigodudas que eles caçavam? E se a técnica, com o passar das gerações, se incrementasse de modo a ganhar um capítulo especial no Kama Sutra e um livro com 484 formas diferentes de dedar o nariz do seu amante?
Tentemos conceber a cena:
_ Robertinho, a Joaquina quer falar com você.
_ Oi, Robertinho! Sabia que eu há muito tempo quero fazer um negócio com você?
_ O quê?
E Joaquina parte para o dedo surpresa, aquele de longa duração, que mexe com os brios de qualquer menino. A recíproca se manifesta quando Robertinho também introduz o dedo no nariz da menina, selando um interesse de ambas as partes pelo relacionamento.
Chato seria naquelas épocas que todo mundo pega uma tal de “virose”:
_ Ai, mô, hoje eu não quero que você me dê dedadas. Meu nariz tá muito gosmento, e creio que isto não colaborará para seu deleite.
Tudo muito asqueroso, é certo. Mas tecnicamente possível. Se esse negócio de “dedo no nariz” fosse de fato uma realidade, talvez eu estivesse aqui teorizando sobre um outro hábito bizarro jamais desenvolvido pela civilização humana – o beijo na boca.

2 Comments:
É tudo uma questão de secreções corporais que a sociedade considera aceitáveis ou não. Se bem que nenhuma secreção corporal é aceitável, beijo babado é "nojento" e "de mau-gosto"...
No fim das contas, essa história toda é uma p*rra, mesmo. :D
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Aline B., at 21 Junho, 2005 00:44
Relativizemos antropologicamente o dedo no nariz. Ilana ia adorar isso! XDDDDDDDDDDDDDD
Bj bj bj!
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Mari, at 22 Junho, 2005 23:41
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