Um Ano Depois...
A última aula havia acabado e os amigos foram todos correndo pra casa, mas ela quis descansar um pouco na pracinha antes de voltar. A lua platinava um céu sem nuvens e as árvores pendiam numa dança suave, enquanto grilos cricrilavam à brisa fresca da noite.
A paz dominava o lugar. A menina sentou em um dos bancos vazios sem se preocupar com porquês. Ela só queria ficar ali olhando para o alto e varrendo com os olhos cada detalhe daquela simplicidade banal, porém tão suficiente. Um gatinho compartilhava o mesmo banco e, por mais que estivesse ali todo o tempo, ela levou alguns minutos para percebê-lo.
- Esse gato tem uma cara de psicopata...
O animal era o único ser que destoava daquela harmonia quase perfeita. Seu pescoço tenso mirava com rapidez cada pequeno movimento de qualquer coisa. Como a praça estava vazia, chamavam sua atenção os sopros de vento mais enlevados que distribuíam as folhas para longe, e o uivo distante de algum cachorro chorando a lua crescente. A menina mirou-o sem pretensões, no que o gato respondeu ao olhar, sem se desfazer do temor misterioso.
Preferiu esquecer um pouco o bicho e pegou um livro na mochila. Folheou as primeiras páginas, leu a capa, a contracapa, mas a luz se mostrara insuficiente e ela não conseguia se concentrar! Guardou o livro. Um sopro de vento mais forte levantou algumas folhas secas do chão, então o animal decidiu abandonar a tensão presa do banquinho e saltou em direção a elas. Recuperou-se a harmonia, mas ela preferiu voltar pra casa.
Outras aulas acabarão e os outros amigos voltarão para casa sob outras luas platinadas de novos céus sem nuvens. As árvores penderão em outras danças suaves e outros grilos continuarão cricrilando à brisa fresca da noite, enquanto a menina nunca sabe se verá o gato de olhos estranhos novamente.
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A paz dominava o lugar. A menina sentou em um dos bancos vazios sem se preocupar com porquês. Ela só queria ficar ali olhando para o alto e varrendo com os olhos cada detalhe daquela simplicidade banal, porém tão suficiente. Um gatinho compartilhava o mesmo banco e, por mais que estivesse ali todo o tempo, ela levou alguns minutos para percebê-lo.
- Esse gato tem uma cara de psicopata...
O animal era o único ser que destoava daquela harmonia quase perfeita. Seu pescoço tenso mirava com rapidez cada pequeno movimento de qualquer coisa. Como a praça estava vazia, chamavam sua atenção os sopros de vento mais enlevados que distribuíam as folhas para longe, e o uivo distante de algum cachorro chorando a lua crescente. A menina mirou-o sem pretensões, no que o gato respondeu ao olhar, sem se desfazer do temor misterioso.
Preferiu esquecer um pouco o bicho e pegou um livro na mochila. Folheou as primeiras páginas, leu a capa, a contracapa, mas a luz se mostrara insuficiente e ela não conseguia se concentrar! Guardou o livro. Um sopro de vento mais forte levantou algumas folhas secas do chão, então o animal decidiu abandonar a tensão presa do banquinho e saltou em direção a elas. Recuperou-se a harmonia, mas ela preferiu voltar pra casa.
Outras aulas acabarão e os outros amigos voltarão para casa sob outras luas platinadas de novos céus sem nuvens. As árvores penderão em outras danças suaves e outros grilos continuarão cricrilando à brisa fresca da noite, enquanto a menina nunca sabe se verá o gato de olhos estranhos novamente.
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Os cabelos estavam grandes e a mãe mandou o menino dar uma aparada no salão perto de casa. O sol brilhava um céu azul sem nuvens e as árvores não pendiam em nenhum tipo de dança, por mais suave que fosse, devido ao abafado terrível do verão.
A rua estava um caos. O menino passou por um grupo de amigos que o chamou para jogar bola, mas ele queria obedecer à mãe para quem sabe ganhar uma recompensa banal, como um chocolate de camelô. Entrou no salão e a cabeleireira pediu alguns minutos, no que ele concordou, sem reclamar. Como o salão estava vazio, chamava sua atenção o jogo de espelhos ótimos de olhar para qualquer lado sem mexer a cabeça. Logo que começou a brincadeira, viu um sorveteiro.
O vendedor quase nunca pára naquela rua, mas neste dia em especial estacionou ali para aguardar a freguesia que não demora muito a chegar. Aparecem meninos, velhos, adultos, toda sorte de gente querendo se aliviar do calor. O sorvete até que custa pouco, mas se ele não resistir à tentação, terá que desistir do cabelo cortado. A mãe lhe dera o dinheiro certinho.
- Esse cara quer me levar pro mau caminho de qualquer jeito...
Preferiu esquecer um pouco o tio e pegou uma revista na bancada. Folheou as primeiras páginas, leu o índice, as frases da semana, mas o calor se mostrara forte demais e ele não conseguia se concentrar! Guardou a revista. Uma vontade de ir ao banheiro tomou sua bexiga, então ele decidiu fazer xixi e logo depois abandonar a tensão presa e comprar o sorvete. Quando voltou, viu que o cara não estava mais lá, foi embora buscar freguesia em outras praças. Filho da puta...
Outros fios de cabelo crescerão e mãe o mandará outras vezes cortar o cabelo em salões perto de casa. O sol brilhará outros céus azuis sem nuvens e as árvores continuarão paradas sob outros abafados terríveis de verão, enquanto o menino nunca sabe se verá o tio o levando pro mau caminho novamente.


